Mais de mil pessoas são evacuadas na Guatemala após erupção vulcânica
A erupção do Vulcão de Fogo levou nesta terça-feira (4) à evacuação de 1,7 mil pessoas de localidades próximas da cratera, e à declaração de alerta máximo na região exposta à queda de cinzas.
O vulcão mais ativo da América Central, localizado a 35 km da capital, entrou em fase eruptiva ontem e aumentou sua atividade durante a noite, com a expulsão de lava e grandes colunas de gases e cinzas.
A incandescência e a fumarola diminuíram na tarde de hoje, mas o fenômeno levou a novas evacuações. Autoridades disponibilizaram cinco abrigos para os moradores.
"Já nos acostumamos a ter o vulcão sempre ativo, mas agora foi demais", disse à AFP Sonia Vásquez, 50, em um dos abrigos.
Nas próximas horas, "o comportamento pode permanecer igual ou mudar, mas não vai parar da noite para o dia", explicou Edwin Rojas, diretor do Instituto Nacional de Vulcanologia. "O vulcão se encontra em uma de suas fases explosivas mais críticas", com rios de lama, rochas incandescentes, gases e cinzas, acrescentou.
A Coordenação Nacional para a Redução de Desastres (Conred) declarou alerta vermelho, de máxima periculosidade, em três departamentos vizinhos ao vulcão, com 3.763 metros de altitude.
Cerca de 1,6 milhão de pessoas vivem na área compreendida por Sacatepéquez, Chimaltenango e Escuintla. Segundo Claudinne Ogaldes, secretária-executiva da Conred, aproximadamente 29 mil pessoas estão expostas diretamente à queda de cinzas vulcânicas, o que torna necessário evacuar a região. Ela pediu aos moradores que usem máscara e cubram os depósitos de água e alimentos, para evitar contaminação.
- 'Saímos correndo' -
O aeroporto internacional da Cidade da Guatemala funcionava normalmente, e uma estrada que leva a Antigua, principal destino turístico do país, foi reaberta.
Alejandro García, morador de El Porvenir, contou à AFP que o vulcão amanheceu muito ativo, e que, "à noite, deram o alerta para evacuar". "Saímos correndo com medo" ao vermos a lava descendo, disse à AFP.
Camas improvisadas foram dispostas no salão de San Juan Alotenango. Muitos saíram de casa apenas com um punhado de roupas e comida.
Os moradores lembram a forte erupção de 3 de junho de 2018, que arrasou a comunidade e deixou 215 mortos e um número similar de desaparecidos.
A Conred manteve o alerta laranja em nível nacional, para que todas as instituições públicas fiquem preparadas. As aulas foram suspensas em comunidades de três municípios próximos ao vulcão.
"Se houvesse a possibilidade de mudar de casa, seria melhor, porque a gente fica com esse medo de que, como o vulcão não avisa, de repente começa a entrar em erupção", disse Lidia Ortiz, de 40 anos, no abrigo de Alotenango.
- Queda de cinzas -
Os vulcanologistas explicaram que foi produzida ontem uma fonte de lava de 200 a 300 metros de altura acima da cratera, e que a coluna de cinzas passou de 7 mil metros. Também alertaram para a dispersão das cinzas a alturas de 5 mil a 6 mil metros, que se deslocam a distâncias de até 130 km para o oeste. Este material costuma ser muito prejudicial para a saúde, os cultivos e os animais.
Em 1932, uma erupção do Vulcão de Fogo lançou cinzas que chegaram a El Salvador (a 125 km de distância) e Honduras (a 175 km).
Situado a 65 km por terra da capital, o Vulcão de Fogo fica entre os departamentos de Escuintla, Chimaltenango e Sacatepéquez, vizinhos da província de Guatemala, e é um dos três vulcões ativos do país, juntamente com o Pacaya (sul) e o Santiaguito (oeste).
F.Herzog--BP