Badische Presse - Dívida soberana dos EUA supera US$ 40 trilhões

Dívida soberana dos EUA supera US$ 40 trilhões
Dívida soberana dos EUA supera US$ 40 trilhões / foto: © AFP

Dívida soberana dos EUA supera US$ 40 trilhões

A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez os 40 trilhões de dólares, segundo dados divulgados na quarta-feira (19) pelo Departamento do Tesouro, em um contexto de alta das taxas dos títulos soberanos.

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Após a última emissão, realizada na terça-feira, a dívida do Tesouro dos Estados Unidos alcançou 40,047 trilhões de dólares (cerca de R$ 207 trilhões), devido ao aumento tanto da dívida vinculada à saúde e à seguridade social quanto dos juros pagos pelo país.

O número contrasta com uma previsão anterior do Escritório de Orçamento do Congresso, que calculava que o endividamento total chegaria a 39,4 trilhões de dólares até o fim do ano fiscal de 2026, no final de setembro.

Os custos de endividamento dispararam nos Estados Unidos, principalmente devido às preocupações vinculadas à inflação.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo (30 anos) subiram na terça-feira até seu nível mais elevado desde 2007, reflexo de uma pressão crescente sobre os preços devido à guerra no Oriente Médio e à preocupação com o déficit fiscal.

O aumento obriga o governo americano a refinanciar a dívida às taxas mais altas desde antes da crise financeira global de 2008.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos fez uma intervenção nas primeiras horas de quarta-feira para estabilizar o mercado de títulos de longo prazo e provocou o recuo dos rendimentos

- "Trajetória insustentável" -

O governo federal opera com déficit e toma dinheiro emprestado para cobrir a diferença.

Mas "há muito tempo se sabe que o governo dos Estados Unidos segue uma trajetória bastante insustentável em matéria de déficits", afirmou Jessica Riedl, especialista em orçamento e impostos da Brookings Institution.

A dívida do país mais que dobrou desde a crise financeira de 2008 e agora representa quase 125% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos.

No passado, déficits de entre 3% e 4% do PIB foram motivo de preocupação para os mercados financeiros, mas Riedl destaca que os níveis atuais estão ao redor de 6% a 7% do PIB.

"Isso gerou mais nervosismo nos mercados", acrescentou.

"O presidente disse que quitaria a dívida em seu primeiro mandato. Bem, todos nós sabíamos que era mentira. Em vez disso, ele a deixou crescer a 40 trilhões de dólares, enquanto ele e sua família acumulavam bilhões", criticou no X o senador democrata Mark Kelly.

"O Congresso deve controlar seus gastos e EQUILIBRAR O ORÇAMENTO. Os americanos merecem algo melhor", comentou o senador republicano Rick Scott, também no X.

O presidente Donald Trump prometeu, durante seus dois mandatos, cortar os gastos do governo e reduzir o déficit anual.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, havia indicado que seu objetivo era reduzir o déficit americano a 3% do PIB. No entanto, este aumentou nos últimos meses, devido principalmente ao reembolso às empresas das tarifas que a Suprema Corte anulou em fevereiro.

Os cortes de impostos e os gastos militares, em particular os relacionados ao conflito com o Irã, também consumiram bilhões de dólares.

Os analistas apontam que não existe um nível de endividamento em relação ao PIB que desencadeie automaticamente uma crise.

Também recordam que a dívida nas mãos da população, que exclui os créditos de uma administração federal sobre outra, costuma ser um indicador mais acompanhado do que a dívida total.

"Mas, de um ponto de vista psicológico, são estes indicadores que alertam os mercados financeiros sobre a necessidade de voltar a prestar atenção ao aumento da dívida", segundo Riedl.

Os empréstimos federais dispararam durante a crise financeira de 2007-2009 e voltaram a aumentar consideravelmente durante a recessão provocada pela covid-19, recorda à AFP Caleb Quakenbush, diretor de política orçamentária do Bipartisan Policy Center.

Segundo ele, nem o Congresso nem os governos americanos abordaram a trajetória dos gastos orçamentários de maneira "significativa ou sustentável", o que representaria sérios desafios em caso de uma nova crise.

E.Wagner--BP