Ministro da Energia saudita pede resposta firme aos ataques houthis
O ministro da Energia saudita defendeu, nesta segunda-feira (12), uma resposta firme após a onda de ataques dos houthis do Iêmen e reconheceu que a ofensiva colocou à prova a infraestrutura e a resiliência da monarquia petroleira.
Os ataques realizados neste fim de semana pelos houthis — um movimento pró-Irã que controla grande parte do Iêmen e está em conflito com a Arábia Saudita há mais de uma década — marcaram uma escalada.
No domingo, uma pessoa morreu em um novo ataque ao aeroporto internacional de Riade, horas depois de outro ataque reivindicado pelos houthis que matou 13 pessoas e deixou mais de 300 feridos no local.
As autoridades sauditas tiveram que fechar o aeroporto da capital, que por enquanto permanece interditado à espera da "verificação da segurança das instalações", informou nesta segunda-feira a autoridade de aviação civil, em um momento repleto de eventos econômicos na cidade, que costumam atrair vários empresários estrangeiros.
Os ataques à Arábia Saudita, potência regional e maior exportadora de petróleo do mundo, são os mais letais em uma década.
"Os acontecimentos das últimas semanas são graves. A nossa resposta deve ser igualmente grave", disse o ministro, príncipe Abdulaziz bin Salman, em uma conferência sobre energia em Riade.
"A segurança energética não pode ser considerada garantida", disse também.
"No caso da Arábia Saudita, estas circunstâncias testaram as nossas infraestruturas, as nossas instituições, o nosso povo e a nossa resistência. Também testaram as decisões tomadas muito antes das atuais crises", enfatizou.
- "A casa toda tremeu" -
No domingo, os houthis reivindicaram uma série de ataques nas últimas 24 horas, incluindo um contra o Aeroporto Rei Khalid, em Riade, e ameaçaram continuar atingindo infraestruturas de transporte.
Horas mais tarde, a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que desde 2015 combate os houthis, relatou a queda de um projétil no aeroporto da capital, o que provocou um incêndio. As defesas aéreas interceptaram outro míssil nas imediações.
Jornalistas da AFP e moradores ouviram uma série de explosões em Riade.
"A casa toda tremeu", disse um morador do bairro de Al Aarid, no norte da capital.
O aeroporto de Riade não foi o único alvo. A autoridade de aviação civil relatou outro ataque ao aeroporto de Dammam, no leste, junto ao Golfo.
- Crime de guerra -
Apesar dos enormes investimentos militares da Arábia Saudita, uma aliada próxima dos Estados Unidos, os houthis continuaram atacando a poderosa monarquia saudita nas últimas semanas.
"As defesas aéreas sauditas conseguiram interceptar alguns mísseis e drones houthis, mas a Arábia Saudita é tão extensa que, simplesmente, é impossível defender-se completamente", comentou Thomas Juneau, analista de segurança da Universidade de Ottawa.
A coalizão hostil aos houthis classificou o ataque de sábado ao aeroporto de Riade como "crime de guerra" e prometeu "responder de maneira decidida".
Veículos de imprensa alinhados aos houthis relataram dois ataques sauditas na região da capital Saná, dentro do território controlado pelo grupo. Um porta-voz do Ministério da Saúde, sob autoridade houthi, informou na rede social X que um civil morreu.
A Arábia Saudita lidera uma coalizão que, desde 2015, apoia o governo internacionalmente reconhecido. Um dos objetivos da campanha militar é controlar o espaço aéreo iemenita.
Thomas Juneau avaliou que, diante dos últimos ataques, os houthis querem "retribuir agora à Arábia Saudita o que os sauditas fazem com eles".
Em campo, o governo iemenita, internacionalmente reconhecido e apoiado por Riade, afirmou estar avançando em sua contraofensiva contra os houthis nos arredores do Estreito de Bab el-Mandeb, uma importante via marítima por onde transitam mercadorias asiáticas destinadas à Europa, segundo informaram fontes militares no sábado.
Os houthis, que estão posicionados nessa região há semanas, garantem tê-los repelido.
As afirmações de ambos os lados têm sido impossíveis de verificar de forma independente, devido à volatilidade da situação e à dificuldade de acesso para jornalistas.
Q.Schmid--BP