Badische Presse - Líderes da IA prometem se autorregular após reunião com Trump

Líderes da IA prometem se autorregular após reunião com Trump
Líderes da IA prometem se autorregular após reunião com Trump / foto: © AFP

Líderes da IA prometem se autorregular após reunião com Trump

Líderes do setor tecnológico acordaram, nesta terça-feira (29), se autorregular no desenvolvimento de seus modelos de inteligência artificial (IA) após se reunirem com o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca.

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Trump, contrário a qualquer regra que restrinja o desenvolvimento da IA, propôs aos seus convidados criar um comitê para monitorar um acordo que seria "moralmente vinculante", mas sem imposições legais.

"Redigimos um conjunto de princípios e compromissos para construir controles internos sólidos e detectar qualquer problema que possa surgir com a tecnologia", afirmou o diretor-executivo da Meta, Mark Zuckerberg.

"Vão controlar a si próprios", assegurou Trump a jornalistas na saída do encontro.

"Estamos pensando em formar uma espécie de comitê, no qual coloquemos talvez dez pessoas. Poderia ser gente desse mesmo grupo", sugeriu.

Se o desenvolvimento da IA levar a abusos ou perigos, "automaticamente já contamos com regulamentação por meio do Departamento de Justiça, do FBI", havia dito Trump mais cedo.

Os próprios dirigentes do setor reconheceram, em um recente apelo conjunto, que há riscos de perda de controle, após vários incidentes durante o desenvolvimento de novas versões de IA. Nesses episódios, os programas invadiram outras plataformas e roubaram informações sem que os humanos tivessem solicitado essas ações.

"Acho que vale a pena destacar os benefícios positivos da inteligência artificial. Acho que, com muita diferença, o resultado mais provável é uma era de abundância", disse Elon Musk, dono do X e da Tesla.

Em meio à campanha eleitoral nos Estados Unidos, líderes democratas pediram que o Congresso reforce a supervisão da indústria.

Mark Zuckerberg (Meta), Sundar Pichai (Google), o presidente da OpenAI, Greg Brockman, além de Dario Amodei (Anthropic), Jensen Huang (Nvidia), Alex Karp (Palantir), Jeff Bezos (Amazon) e Elon Musk (X, Tesla, SpaceX) participaram do encontro.

A IA "implica riscos muito reais, e a forma como abordamos esses riscos continua sendo objeto de discussão. Mas todos precisamos trabalhar juntos", reforçou Amodei.

Trump também minimizou os medos sobre a instalação dos gigantescos centros de dados nos Estados Unidos, que consomem enormes quantidades de energia e que são imperativos para o desenvolvimento da IA.

Essas empresas "vão trabalhar com as comunidades locais. Isso pode significar fornecer petróleo e gás. Pode significar oferecer educação. Pode envolver ajudar financeiramente os professores", afirmou Trump.

- Enganar os supervisores -

Na véspera da reunião, a OpenAI anunciou o adiamento do lançamento de seu modelo de ponta, previsto para outubro, porque ele se desviava das instruções recebidas e tentava enganar seus supervisores.

A mesma empresa reconheceu na semana passada que agentes desenvolvidos com modelos da OpenAI acessaram os sites de três agências federais americanas e que um de seus modelos invadiu um portal de dados de saúde do governo australiano.

Por sua vez, a Anthropic, responsável pelo modelo Claude, advertiu os investidores antes de sua abertura de capital que a IA pode representar "riscos existenciais para a humanidade", reportou nesta terça-feira o jornal Financial Times.

- Preocupação do eleitorado -

Trump apresentou em outro evento nesta terça-feira um novo portal, America.gov, destinado a reunir cerca de 29 mil sites do governo federal americano.

Segundo o portal, as conversas e os dados de localização dos usuários serão apagados automaticamente após a consulta.

A IA se destina "essencialmente a bons usos" e, caso contrário, o governo acabará com "os maus usos", afirmou Trump. Os Estados Unidos não "sucumbem ao medo" das novas tecnologias, acrescentou.

Uma pesquisa publicada pela CNN afirma que 82% dos americanos se declaram "preocupados" com o desenvolvimento da IA.

No entanto, Trump considera as advertências exageradas e defende um desenvolvimento vigoroso para superar a China e impulsionar uma economia cada vez mais dependente do avanço dessa tecnologia.

Ele também criticou a rejeição social à instalação dos enormes centros de dados necessários para sustentar a IA, que encarecem a conta de luz e aumentam a pressão sobre os recursos hídricos e o solo.

Trump disse que as comunidades que se opõem a estas infraestruturas "querem acabar atrasadas e pobres" e que "a China não poderia estar mais feliz com o movimento contrário aos centros de dados".

Parlamentares dos partidos Republicano e Democrata elaboraram vários projetos de lei para regulamentar melhor o setor. Alguns exigem que as empresas sejam mais transparentes sobre o funcionamento de seus sistemas e as medidas de segurança que utilizam.

Mas, com a Câmara dos Representantes em recesso até o início de novembro e os senadores prestes a voltar a seus distritos eleitorais para fazer campanha, é improvável que o Congresso aprove uma legislação abrangente sobre o tema antes das eleições.

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H.Baumann--BP