Juíza sul-africana Navi Pillay ganha o Prêmio Nobel da Paz
A sul-africana Navi Pillay, defensora de Nelson Mandela e ex-juíza do TPI, ganhou nesta sexta-feira (9) o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços em favor do direito internacional em um momento em que, segundo o júri, a justiça está "sob ataque".
O Comitê Nobel Norueguês afirmou ter concedido o prestigioso prêmio por "promover a paz e o direito internacional".
"Ela foi fundamental para garantir que os crimes de guerra, os crimes contra a humanidade e o genocídio fossem perseguidos", declarou o júri.
Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, presidiu a comissão de investigação independente da ONU que acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza.
O Comitê Nobel destacou seu compromisso "com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral".
"Em uma época marcada por desafios existenciais — em particular, um número de guerras e conflitos que o mundo não via havia muito tempo —, o direito internacional deixou de ser apenas um complemento da paz e da segurança. É uma necessidade absoluta", afirma.
A Justiça internacional "está sob enorme pressão e suas instituições, sob ataque", ressaltou o Comitê Nobel, em um momento em que os Estados Unidos empreenderam uma campanha contra o Tribunal Penal Internacional (TPI).
- "Talvez divida o prêmio com Trump" -
Navi Pillay, advogada de origem indiana na África do Sul do Apartheid, que chegou ao cargo de juíza e alta comissária da ONU para os Direitos Humanos (2008-2014), domina a arte dos casos difíceis.
Sua carreira a levou dos tribunais sul-africanos, onde defendeu ativistas contra o Apartheid como Nelson Mandela e garantiu direitos fundamentais para presos políticos, ao Tribunal Penal Internacional para Ruanda, passando pelo TPI.
Ela presidiu a comissão encarregada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU de investigar as violações de direitos humanos nos territórios palestinos e em Israel.
Em 2024, o TPI emitiu uma ordem de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por supostos crimes de guerra em Gaza, e contra vários membros já falecidos do movimento islamista palestino Hamas.
Washington considera que se trata de uma instituição "politizada" e, na última Assembleia Geral da ONU, em setembro, o presidente Donald Trump pediu a todos os países-membros que "se retirassem oficial e imediatamente".
"Se aplaudirem um pouco mais alto, talvez eu divida o prêmio com Trump", brincou Navi Pillay nesta sexta-feira.
Ela lamenta ser rotulada de "antissemita". Nas redes sociais há chamados pedindo que os Estados Unidos a sancionem, como Washington fez com uma relatora da ONU, com juízes do TPI e ONGs palestinas.
O presidente do Comitê Nobel, Jorgen Watne Frydnes, afirmou que atualmente se observa uma guinada em direção a um poder exercido "em detrimento dos marcos legais e do respeito global ao direito e à justiça".
Atualmente, Navi Pillay é juíza da Corte Internacional de Justiça no caso em que Mianmar é acusado de genocídio.
O Prêmio Nobel da Paz concedido a Navi Pillay atesta "a necessidade e o valor" dos direitos humanos, destacou a ONU imediatamente após o anúncio.
P.Kuhn--BP